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| Terra Brasilis 1519 |
Tudo começou assim: os índios, em troca de quinquilharias, cortavam a madeira, o pau-brasil.
Passaram-se os séculos.
E os habitantes do território que chamamos Brasil tornaram-se independentes de Portugal.
Considerando o imposto — o quinto — demasiado alto.
Nada a ver com ideais de liberdade, amor à terra, trabalho ou consciência civil.
Apenas a vontade de explorar mais. E concentrar riqueza nas mãos de poucos.
Não se trata de fazer um tratado de psicologia. Mas de compreender o que se passa na nossa cabeça.
Para colocarmos num canto aquilo que vemos todos os dias. Sem conseguir mudar os hábitos.
Sem dúvida, isso tem relação com a posição — 58ª — do sistema educativo brasileiro no ranking dos países industrializados (OCDE).
Se nos vangloriamos de estar entre os primeiros na industrialização, eis que, no “Relatório de Desenvolvimento Humano” da ONU de 2014 — que considera expectativa de vida, educação e renda per capita — o Brasil ocupa a 79ª posição.
É triste pensar que, em outra classificação do FMI de 2013, baseada na paridade do poder de compra per capita, estamos no 76º lugar.
Atrás do Chile (53º) e da Argentina (54º). O filme passa diante dos nossos olhos.
Como brasileiros. Mas parece estar numa língua estrangeira. E sem legendas.
Vemos as imagens. Sem entender o que acontece.
Muito simples.
Como escreveu há muito tempo o filósofo inglês Thomas Hobbes, o ser humano é agressivo e antissocial por natureza.
Por desejo e ganância, pode destruir o semelhante sem dificuldade. Para coexistir é necessário um pacto social.
Eleger representantes que defendam os interesses coletivos.
No caso do Brasil, há décadas faltam pessoas preparadas para lidar com um sistema de vida moderno.
Grande parte dos ricos — ou do poder político que gera riqueza para si mesmo — é ignorante.
Enxerga apenas o dinheiro no próprio bolso. São tão cegos que vivem em constante perigo.
Sem segurança pessoal. Rodeados por miséria.
Incapazes de conviver com uma maioria digna.
Sem qualquer possibilidade de construir uma pacificação social.
A exploração desenfreada não é apenas dos recursos naturais.
Evidente no caso da Vale, em Minas Gerais. Mas também resultado de uma falta de sensibilidade.
De uma vida sem rumo. E sem visão de futuro. É a lógica do “morde e foge”.
Tirar proveito imediato. Sem pensar no amanhã. Por onde começar?
Duas coisas são fundamentais para uma vida civilizada. Educação e segurança.
E, antes de tudo, é indispensável ter o básico. Comida.
Até hoje, muitas políticas foram demagógicas. Voltadas para interesses de grupos. Ou para manter estruturas de poder.
Um problema grave é que uma grande parte da população brasileira vive em condições de extrema pobreza. Não apenas material. Mas também de consciência sobre si mesma e sobre os outros.
É obrigação de qualquer político explicar claramente qual é o seu programa para enfrentar esses problemas. E, mais importante, como pretende executá-lo.
Um exemplo.
Um menor sem estrutura familiar deveria obrigatoriamente estar na escola. O Estado deve garantir alimentação. E, quando necessário, alojamento. Organizando instituições adequadas.
Isso tiraria crianças e adolescentes das ruas. E evitaria que benefícios sociais fossem usados sem oferecer condições reais de dignidade. Quem não quiser estudar, a partir dos 14 anos, deve aprender um ofício.
Toda sociedade precisa de trabalhadores. Operários, eletricistas, pedreiros, bombeiros, agricultores, cabeleireiros.
Nem todos precisam de formação acadêmica. Mas é preciso abandonar a ilusão de que a riqueza vem rapidamente.
Ela é fruto de trabalho. Não de esperteza, abuso ou oportunismo.
A ignorância — que muitas vezes nada tem a ver com analfabetismo — é ter uma visão curta da vida.
O progresso social depende de ação coletiva. De sensibilidade para com o próximo.
E de uma consciência que inclui também o meio ambiente. O Brasil está no limite.
Desmatamento, escassez de água, poluição, exploração do solo.
Estamos consumindo recursos como se fôssemos donos.
Quando, na verdade, somos apenas usuários temporários.
Ao olhar para uma criança, deveríamos nos perguntar. Estamos roubando o futuro dela?
O sentimentalismo vazio que permeia a nossa cultura é inútil. E até conveniente para muitos.
Seria muito melhor que cada um fizesse o seu “dever de casa”.
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