Sabemos que o homem é fruto de um processo evolutivo. A Pré-História termina há cerca de 5.500 anos, com a invenção da escrita.
A história humana que se segue, no Ocidente, é dividida em quatro épocas:
a Idade Antiga (3500 a.C.), que compreende a Idade do Bronze, a Idade do Ferro e
a Idade Clássica, terminando com a queda do Império Romano do Ocidente (476 d.C.);
a Idade Medieval (476 d.C. / 1492 d.C.); começa com a descoberta da América e termina com a Revolução Francesa;
a Idade Contemporânea (1789 até o presente).
O conceito de identidade nacional nasce quando as pessoas passam a colaborar, falar e construir vínculos dentro do próprio grupo.
A globalização — termo surgido no campo da economia — é um processo de interdependência econômica, social, cultural, política e tecnológica. Seus efeitos, sejam positivos ou negativos, têm repercussão planetária, uniformizando o comércio, as culturas, os costumes e as ideias.
Sob uma visão utópica, poderia parecer algo positivo. No entanto, como diziam os antigos: “Homo homini lupus” (o homem é o lobo do homem — Plauto). Quando os homens estabelecem relações ou sociedades, precisam regulamentá-las com leis, por medo recíproco.
No estado natural, quando não existem leis (ou religiões), cada indivíduo é movido pelo instinto. E o que faz? Prejudica o outro ou elimina quem se torna obstáculo aos seus desejos.
O filósofo inglês Thomas Hobbes (1588–1679) afirmava que a natureza humana é egoísta: o que determina as ações do homem é o instinto de sobrevivência, a violência, o abuso.
O pessimismo de Schopenhauer, e de tantos outros pensadores, nasce dessa constatação — e nem mesmo a passagem de Jesus foi suficiente para mudar essa realidade.
Algumas nações jovens, sobretudo de cultura anglófona, colocaram no centro de suas constituições o poder econômico. As relações internas da sociedade são fundadas no dinheiro: para alcançar o bem-estar, tudo é permitido.
É interessante notar que esse “bem-estar”, na visão da maioria, é moldado por propagandas cada vez mais sofisticadas, criando uma população domesticada.
Nos filmes, vemos casas grandes e confortáveis, pessoas que tomam café da manhã em pé, diante da geladeira, bebendo diretamente da garrafa. Misturam no liquidificador ingredientes indefinidos, quase alienígenas.
O tempo é escasso, as relações pessoais ficam em segundo plano — mas não há problema: basta marcar uma consulta com o psicólogo.
Chegamos então à pergunta: é isso que queremos para o Brasil?
Até os anos 70, as famílias eram grandes. Na imensa diversidade do país, cada uma mantinha sua identidade, preservada quase como algo sagrado. Era possível conhecer diferenças reais, sólidas, que serviam de base para uma educação inclusiva.
E hoje?
Somos uma cópia grosseira de coisa nenhuma.
Na tentativa de sermos “modernos”, jogamos fora a água da bacia com a criança dentro.
A ausência de identidade e cultura gera uma classe política de baixa qualidade, pronta para vender o país — se é que já não o fez. E, como numa corrente, cada elo que se rompe representa uma perda na educação, na saúde, na segurança, no bem-estar.
O que fazer?
Precisamos recuperar nossas raízes. Não aceitar cópias falsificadas. É melhor algo simples e autêntico do que uma imitação de péssima qualidade.
Muitos riem ao lembrar dos indígenas que trocavam bens por espelhos. Pois é exatamente isso que fazemos hoje: abandonamos nossas origens, modificamos hábitos e perseguimos modelos impostos pela mídia, embalados como modernidade.
Mudar hábitos é um processo lento.
A rapidez só existe na domesticação.
— Rossana vanderBorg
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