Difícil entender por que o ser humano, ao qual foi doado o livre-arbítrio e a possibilidade de raciocinar — e que em algumas religiões é considerado eleito por Deus — é um dos piores educadores dos próprios filhos.
Falo em particular de uma mãe, mas a sua experiência é idêntica à de muitas, e a todas elas eu grito a minha raiva.
Geralmente isso acontece nos países subdesenvolvidos, e na América do Sul em grande parte é assim.
Milhares de meninas, que na Europa consideraríamos pouco mais que crianças, aos doze, treze, catorze, quinze anos engravidam.
Nem sempre pertencem a famílias marginalizadas, são muitas vezes fruto de uma cultura sexual desequilibrada.
Pode parecer uma brincadeira dizer que muitos homens fariam sexo até com o buraco de uma fechadura, se ele se movesse, mas a verdade é que muitas vezes o sexo feminino também não despreza qualquer tipo de relação, tornando-se por vezes mais impulsivo que o próprio homem.
Milhares de crianças nascem por acaso: fruto de bebedeiras, drogas, carnaval, de uma relação no dia errado.
Essas crianças crescem ao lado de adolescentes que ainda precisam amadurecer.
Se a família é pobre, cedo terão de procurar como sobreviver; se está abaixo da linha da pobreza, acabam alimentando o tráfico de drogas, acumulando raiva que facilmente se transforma em violência.
Mas mesmo aquelas que nascem em famílias onde não falta o básico tornam-se muitas vezes vítimas de uma carência estrutural, porque a mãe-adolescente, depois de dar à luz, nos anos seguintes continuará a viver a sua própria vida, perseguindo sonhos e realizações que pouco têm a ver com educar e assumir a responsabilidade por outro ser.
Na dificuldade dos dias de hoje, ainda maior em países com fraca instrução pública, onde corrupção moral e econômica caminham juntas, o que fazer com tantos inocentes?
Os adultos vivem uma realidade sufocante, paranoica, sem legitimidade, sem esperança de melhoria cultural e de desenvolvimento social.
A única perspectiva é a embriaguez de sexta e sábado, para anestesiar a infelicidade.
Minha pequena amiga, eu confio em você.
A oportunidade de ter conhecido outra forma de viver será a luz que iluminará os seus passos.
A emancipação passa pelo conhecimento.
Feche a mão em punho, cerre os dentes, nunca mais se faça mal.
Você passará na prova e demonstrará que as trevas da ignorância podem ser vencidas.
No Dia das Mães não deveria ser necessário lembrar que nenhum filho pediu para vir ao mundo; sendo assim, é obrigação de todas as mães serem dignas desta maravilhosa aventura.
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