domenica 20 marzo 2016

O Brasil ainda precisa de coronéis?

L'inferno di Giovanni da Modena
L'Inferno di Giovanni da Modena



Este pintor italiano do século XV, Giovanni da Modena, descreve maravilhosamente o demônio: desenha uma cabeça na parte inferior, a indicar que o intelecto do sujeito se encontra no lugar dos apetites mais baixos.

Parece que ele gosta muito dos brasileiros, pois há sempre mensageiros que utilizam o Brasil como um banquete.

Imagino que seja difícil, para quem tem o hábito de ler livros de cabeça para baixo, entender “O discurso da casa dividida” de Abraham Lincoln, que retomava uma citação do Novo Testamento: “todo reino dividido contra si mesmo será devastado”.

Lincoln indicava três elementos fundamentais para formar uma nação: terra, povo e leis.

Se o ex-presidente Lula soubesse distinguir o certo do errado, entenderia que, numa democracia, todos são iguais perante a lei.

Existem advogados com patrocínio gratuito para os mais pobres (não me parece ser o caso dele) e vários graus de julgamento para se defender.

Então por que toda essa pressa do atual presidente em torná-lo ministro?

A ausência de culpa se prova nos tribunais.

Como é jovem a democracia no Brasil, e como são antigos e enraizados o coronelismo e o caciquismo.

Lula é simplesmente mais um caudilho, com pretensões de salvador da pátria, disposto a pisotear regras que valem para todos os brasileiros.

Quanta submissão, apadrinhamento, clientelismo — e, sobretudo, quanta ignorância.

Não deveriam existir bandos sediciosos.

Em risco está a igualdade entre os cidadãos.

É muito triste o uso de cargos públicos, no passado e no presente, para enriquecer e distribuir favores.

Isso seria uma desculpa para que juízes não investiguem?

Como se diz na Itália: “alla buona ora” — já era tempo!

Alguém tinha que começar.

O primeiro, sem dúvida, vai protestar.
Mas é assim que se dá um início.

E com todas as garantias que qualquer cidadão comum possui.

Fica ainda uma pergunta:

um verdadeiro patriota — penso em Tiradentes, que deu a vida pela liberdade, risco que o ex-presidente não corre — não poderia aproveitar este momento para demonstrar ao país e ao mundo a própria honorabilidade?

A resposta é uma só.

Não há empate possível.

Desta vez, estamos longe de um campo de futebol.