Era assim: tudo parecia ótimo enquanto reinava o touro.
Os títulos subiam e muitos gritavam ao milagre econômico.
O tempo da falsa ingenuidade, para alguns, acabou.
Caímos na mais pura realidade.
Deveríamos todos odiar o fanatismo, venha de onde vier: religioso, político ou desportivo.
Mas muitos preferem ser sepultados sob as ruínas do próprio telhado do que escutar o estalo das rachaduras.
Aconteceu o que tinha que acontecer.
Em 2008, com a falência do Lehman Brothers, os Bancos Centrais — Federal Reserve, Banco da Inglaterra, Banco do Japão e Banco Central Europeu — começaram a imprimir dinheiro e despejá-lo no mercado.
O valor é assustador: em poucos anos, os balanços dessas instituições cresceram cerca de 7,3 trilhões de dólares, aproximadamente 10% do PIB mundial.
Serviu para reduzir juros e evitar a deflação nas economias centrais.
Mas alguém teria que pagar a conta.
E esse alguém são, em grande parte, os países emergentes, que aproveitaram os financiamentos a juros baixos como se o dinheiro caísse do céu.
Só que, no fim, apenas os governantes acreditaram em Papai Noel.
No caso do Brasil, Petrobras, Vale e tantas outras empresas estão endividadas em dólares.
Agora imagine o que acontece quando as taxas de juros sobem.
Cada desvalorização da moeda torna essa dívida mais pesada.
E se a China antes era um grande comprador… agora, diante da própria crise, fechará as portas e cuidará das próprias feridas.
No Brasil, o que foi vendido com tanta demagogia e sustentado por imensa corrupção não era crescimento real.
Não era modernização, nem esforço produtivo, nem avanço educacional.
Era um círculo vicioso.
Distribuiu-se um “peixinho” a milhões de pessoas, permitindo acesso rápido ao consumo — muitas vezes compulsivo.
Mas o retorno à realidade não será indolor.
O velho e grave problema da nossa sociedade permanece:
governo e oposição são responsáveis, e não há inocentes.
Precisamos, com urgência, de uma nova geração de políticos.
Gente que não tenha nada a ver com os de sempre.
Professores, estudantes — vocês são necessários.
Sem vocês, não haverá futuro.
— Rossana vanderBorg
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