martedì 25 agosto 2015

Países emergentes: o fim da ilusão


Era assim: tudo parecia ótimo enquanto reinava o touro.

Os títulos subiam e muitos gritavam ao milagre econômico.

O tempo da falsa ingenuidade, para alguns, acabou.

Caímos na mais pura realidade.

Deveríamos todos odiar o fanatismo, venha de onde vier: religioso, político ou desportivo.

Mas muitos preferem ser sepultados sob as ruínas do próprio telhado do que escutar o estalo das rachaduras.

Aconteceu o que tinha que acontecer.

Em 2008, com a falência do Lehman Brothers, os Bancos Centrais — Federal Reserve, Banco da Inglaterra, Banco do Japão e Banco Central Europeu — começaram a imprimir dinheiro e despejá-lo no mercado.

O valor é assustador: em poucos anos, os balanços dessas instituições cresceram cerca de 7,3 trilhões de dólares, aproximadamente 10% do PIB mundial.

Serviu para reduzir juros e evitar a deflação nas economias centrais.

Mas alguém teria que pagar a conta.

E esse alguém são, em grande parte, os países emergentes, que aproveitaram os financiamentos a juros baixos como se o dinheiro caísse do céu.

Só que, no fim, apenas os governantes acreditaram em Papai Noel.

No caso do Brasil, Petrobras, Vale e tantas outras empresas estão endividadas em dólares.

Agora imagine o que acontece quando as taxas de juros sobem.

Cada desvalorização da moeda torna essa dívida mais pesada.

E se a China antes era um grande comprador… agora, diante da própria crise, fechará as portas e cuidará das próprias feridas.

No Brasil, o que foi vendido com tanta demagogia e sustentado por imensa corrupção não era crescimento real.

Não era modernização, nem esforço produtivo, nem avanço educacional.

Era um círculo vicioso.

Distribuiu-se um “peixinho” a milhões de pessoas, permitindo acesso rápido ao consumo — muitas vezes compulsivo.

Mas o retorno à realidade não será indolor.

O velho e grave problema da nossa sociedade permanece:

governo e oposição são responsáveis, e não há inocentes.

Precisamos, com urgência, de uma nova geração de políticos.

Gente que não tenha nada a ver com os de sempre.

Professores, estudantes — vocês são necessários.

Sem vocês, não haverá futuro.

— Rossana vanderBorg