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| Dollari americani |
A corrupção é percebida de maneira diferente conforme o período histórico, o país e a cultura de referência, mas sempre foi universalmente reconhecida como algo negativo.
O filósofo Platão, em A República, defendia que fosse proibido aos políticos manusear ouro e prata, chegando a afirmar que deveriam alimentar-se em refeitórios comuns. Esta última ideia até dá vontade de rir, mas seria excelente obrigar a classe política mundial a seguir tal princípio.
O limite que separa uma troca de favores de uma verdadeira corrupção — ou prostituição — é extremamente incerto. A própria palavra “interesse” (inter-est, o que está no meio) não ajuda, ou melhor, confunde ainda mais a situação.
No entanto, indica uma possível medida: pessoas com senso de comunidade, dispostas a colaborar para o bem comum e capazes de reconhecer as necessidades dos outros poderiam agir com responsabilidade. Em troca, recebem visibilidade em um campo — o político — que, em todas as latitudes, é altamente lucrativo.
O barão de Montesquieu (1689–1755), filósofo, historiador e jurista francês, formulador da teoria da separação dos poderes, afirmava que o fundamento de uma boa república não está apenas em boas leis, mas na virtude dos seus cidadãos.
Ele explicava que existe uma ligação estreita entre moral e política. As mudanças no antigo sistema de deveres e virtudes dos romanos — alma daquela sociedade — levaram à corrupção.
Segundo Montesquieu, indivíduo e comunidade vivem numa relação de reciprocidade. Quando esse equilíbrio se rompe, quando os interesses particulares prevalecem sobre os interesses gerais, instala-se uma verdadeira “desarmonia” social e política, chegando a configurar uma “doença” da alma humana.
Essa doença manifesta-se quando se justifica qualquer meio para alcançar um benefício, quando se obtém vantagem à custa de outro.
É terrível porque se infiltra lentamente, utilizando exemplos nocivos e o enfraquecimento das normas.
A corrupção é, no fim das contas, a perda do sentido de justiça — fundamento da vida moral individual e coletiva.
É a virtude moral que conduz ao bem comum. Ao contrário, o luxo — entendido no seu sentido mais amplo — corrompe, pois alimenta desejos sem limites, uma necessidade excessiva de prazer, levando o indivíduo ao interesse particular e à violação das regras.
E aqui surge a reflexão: é verdade que os políticos estão cada vez mais corruptos e corruptores. No entanto, a nossa sociedade parece bem representada por eles.
Há uma certa leveza intelectual, uma busca por coisas superficiais, que torna fácil aceitar o cotidiano como ele é.
Consequentemente, os representantes parlamentares não passam de outra face da mesma moeda.
— Rossana vanderBorg
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