venerdì 1 maggio 2015

EXPO : Carta de Milão: sonho ou farsa?


EXPO. Vamos ver o que vai sobrar da “Carta de Milão”.

A ideia é excelente.

Tudo está por ver se sairá do papel.

Todos os visitantes da exposição podem assinar este manifesto, traduzido em 19 línguas, que será entregue em outubro ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Quem assina concorda em sensibilizar a população mundial para o direito de todos a uma alimentação saudável e segura.

Os entusiastas definiram esta “Carta” como um protocolo de Kyoto da alimentação.

Muito bem… até que queiramos viver no mundo das fábulas.

Porque, na prática, do protocolo de Kyoto a maioria dos países faz confetes de carnaval.

Na realidade, há algo de evidente: uma população em crescimento exponencial, que precisa de água e alimento para viver — e, quando está de barriga cheia, passa a exigir produtos industrializados (televisão, telemóvel, automóvel) — poderá realmente sustentar-se nos 510.072.000 km² do nosso planeta, sendo que a maior parte é composta por oceanos?

A nossa pequena experiência como brasileiros mostra bem o que aconteceu nos últimos 500 anos, desde a chegada de Cabral.

Até aos anos 70, a população não chegava a 100 milhões; em 40 anos, mais do que duplicou.

Sem dúvida, maus governos não ajudaram a um desenvolvimento correto.

Mas também não vão descer anjos para nos sustentar no futuro.

BASTA de bobagens.

BASTA de conversa fiada.

Se não houver um esclarecimento geral, o futuro estará nas mãos dos mais fortes — e os outros serão miseráveis ou carne para canhão.

EXPO. Falemos agora do que se observa nesta manifestação.

Sabiam que as cadeiras do restaurante do pavilhão do Brasil foram concebidas por diferentes artistas e que as luminárias foram realizadas pelos indígenas Yawanawá?

E não podíamos esquecer os romanos…

A avenida principal da EXPO chama-se “Decumano”, em referência à estrada que, nas cidades romanas, seguia na direção leste-oeste.

O Pavilhão Zero está dividido em doze espaços que contam a história do progresso: da passagem de pescadores e agricultores para a sociedade “desenvolvida”, consumista, acompanhada pelo desperdício típico deste caminho moderno.

O mais interessante é que a rica Suíça parece ser a mais preocupada com a escassez: dentro do seu pavilhão há quatro enormes silos com alimentos.

O visitante pode pegar o que quiser — sabendo, porém, que, se não tiver consciência dos outros, quem vier depois encontrará as mãos vazias.

— Rossana VanderBorg